Estudo apresentado pelo Disque Denúncia apontou concentração de roubos de cargas e receptações na capital
O Conselho de Combate ao Mercado Ilegal da Fecomércio RJ realizou, nesta quinta-feira (13/08), uma reunião que discutiu os desafios relacionados ao mercado ilegal no estado do Rio de Janeiro. O encontro contou com as participações do diretor-geral do Instituto MovRio e coordenador-geral do Disque Denúncia, Renato Almeida, e de Lorena Trindade Santos, do Núcleo de Análise Técnica da instituição.
Durante a reunião, Lorena apresentou o estudo “Mercado Ilegal no Rio de Janeiro”, que busca entender o fenômeno e com a ilegalidade foi se formando desde o império no século XVIII. O relatório aborda a continuidade histórica do mercado ilegal, a informalidade urbana e as cadeias contemporâneas de receptação.
De acordo com o levantamento, em 2025, 49,4% dos roubos de cargas e receptações se concentraram na capital, principalmente no Centro, em Campo Grande e Realengo.
“O mercado ilegal carioca é um fenômeno adaptativo territorializado e estruturalmente integrado à economia urbana do contrabando colonial às cadeias contemporâneas do roubo de cargas”, afirma Lorena Trindade dos Santos.
A evolução atual do mercado ilegal já ultrapassou a questão da receptação e do consumo. Hoje, cerca de 2,5 milhões de pessoas vivem em áreas dominadas pelo crime organizado e, em muitos casos, são obrigadas a consumir produtos e serviços determinados por esses grupos. Isso mostra que existe um problema além da falta de educação financeira e da alta carga tributária que travam o crescimento econômico.
“A consolidação dessa cadeia é preocupante e está diretamente relacionada à ampliação do domínio territorial do crime organizado. Esse cenário produz consequências diretas para o comércio e para a economia, uma vez que o consumo no mercado informal movimentou cerca de R$ 4,5 bilhões, o que equivale a um valor superior a todas as datas comemorativas do ano”, constata o secretário do Conselho de Combate ao Mercado Ilegal, João Gomes.
O avanço do mercado ilegal, segundo João Gomes, está associado ao aumento do controle territorial exercido pelo crime organizado, que passa a influenciar na segurança, na rotina. nas relações de consumo e na dinâmica da economia.
Também foram apresentadas campanhas e iniciativas desenvolvidas pelo Disque Denúncia em conjunto com a Fecomércio RJ para o enfrentamento do mercado ilegal.