O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, decidiu de forma unânime pela elevação da taxa Selic em 0,5 ponto percentual, conforme esperado pelo IFec-RJ e a maioria dos outros respondentes do Boletim Focus. O aumento leva a taxa básica de juros para 13,25% ao ano, o maior patamar desde dezembro de 2016.
Em seu comunicado, o Copom ressaltou que o ambiente externo continua a se deteriorar, com maior incerteza, aversão ao risco e aperto monetário nos países avançados, além de revisões negativas para o crescimento global. No âmbito interno, mencionou que a inflação ao consumidor continuou surpreendendo de forma negativa, alimentada pelas pressões globais nos preços e incertezas acerca do futuro do arcabouço fiscal do país.
A sinalização até então era de que o ciclo de altas poderia chegar ao seu fim em junho. No entanto, no comunicado desta reunião afirmou que o aperto monetário deve se manter e avançar de forma significativa. Para a próxima reunião, em agosto, o Copom sinalizou que deverá realizar elevação de igual ou menor magnitude.
Inflação
A inflação acumulada em 12 meses pelo IPCA recua após alcançar 12,13% em abril, atualmente se posicionando em 11,73%. No ano, a inflação ao consumidor já acumula 4,78%, superior à meta de 3,5%, mas ainda dentro do limite superior de 5,0%.
O atual processo de elevação de preços é um fenômeno global que foi iniciado com a desorganização de cadeias produtivas durante pandemia e agora intensificado pelo conflito entre Rússia e Ucrânia. Nos Estados Unidos, foi dado início a um ciclo de altas em março em resposta a este cenário. No mesmo dia da reunião do Copom, o FED anunciou uma elevação de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros, acima do sinalizado anteriormente. Além disso, o Banco Central Europeu pretende iniciar uma trajetória de elevação dos juros em julho.
No Brasil, o ciclo de altas começou em março de 2021. As elevações realizadas pelas autoridades monetárias nos países desenvolvidos são fatores adicionais de pressão sobre a Selic. A diminuição do diferencial dos juros do Brasil em relação ao resto do mundo afeta o câmbio, encarecendo importações brasileiras.
As atuais expectativas, segundo o Boletim Focus, são de que o IPCA de 2022 feche em 8,5%. Também há aumento das projeções de inflação para os próximos anos. A estratégia adotada pelo Banco Central busca suavizar a pressão sobre a taxa de juros de curto prazo ao distanciar a convergência em relação à meta para 2023, de forma a auxiliar a ancoragem de expectativas. Diante da persistência das pressões inflacionárias, o Copom mencionou que a contração monetária deve avançar “significativamente em território ainda mais contracionista”.