Pesquisa mensal da Fecomércio RJ de abril, apurada pelo Instituto Ipsos, aponta crescimento na venda de bens duráveis como móveis e eletrodomésticos, principalmente em consequência do aumento da tomada de crédito pelo consumidor, em decorrência da queda acentuada das taxas de juros registrada nos últimos meses. O setor ligado ao crédito vem crescendo em torno de 6% anualmente desde o ápice de sua queda em 2016, quando as perdas chegaram a 20%.
Sua franca recuperação aconteceu em 2017 e se consolidou nos primeiros meses deste ano. Apesar do nível de renda ainda baixo, o levantamento da Fecomércio RJ mostra que há uma demanda crescente por bens que têm sua venda pautada pelo financiamento. A análise da Fecomércio RJ indica que há condições para um crescimento mais robusto.
Inflação em queda
De acordo com o estudo da Fecomércio RJ, o alicerce para esta virada foi a inflação. O IPCA, que no início de 2016 estava em dois dígitos, encerrou o mesmo ano muito próximo de 6%, com forte desaceleração a partir de então. A inflação em queda teve consequência direta no ganho de renda disponível, o que ajudou os resultados de setores como supermercados. A desaceleração possibilitou uma diminuição mais acentuada dos juros, o que levou ao aumento da tomada de crédito, influenciando as vendas dos bens duráveis.
A recuperação continuou ao longo de 2017, não se mantendo uniforme no início deste ano. O ambiente econômico melhor faz com que o crédito venha apresentando crescimento, embora com a renda ainda em queda no estado. Os níveis ainda baixos de emprego são amparados na informalidade relativamente alta. Ainda assim, a demanda de bens cuja venda depende de financiamento é crescente, em função da retomada da regularidade no recebimento de salários, mesmo que em volume inferior a antes, garantindo o pagamento das parcelas. Tal fato é confirmado pela inadimplência controlado no comércio.
Baixa renda
Já o setor de hipermercados e supermercados, cuja performance possui relação direta com a evolução da renda, ainda apresenta queda acumulada, limitando o crescimento médio do comércio no estado. A previsão do setor é que os índices gerais evoluam com mais força a partir de 2019, principalmente com a retomada do número de empregos formais, cujo saldo de novos postos de trabalho já começou a ficar positivo no último mês.
